Um projeto do Governo de Minas Gerais está ajudando a melhorar a realidade de famílias em vulnerabilidade social. Por meio do Sementes Presentes, agricultores familiares estão recebendo sementes para produzir alimentos para o próprio consumo ou venda. A ação é executada pela Emater-MG, juntamente com as secretarias de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese)Planejamento e Gestão (Seplag) e Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor).

 “O nosso objetivo é promover a inclusão socioprodutiva das populações mais pobres do campo, a segurança alimentar, geração de trabalho e renda, além da organização da produção para o mercado institucional”, afirma o coordenador técnico estadual da Emater-MG, Thiago Carvalho.

Em 2017, foram distribuídas 226 toneladas de sementes de feijão, sorgo e milho para 23,8 mil famílias, em 159 municípios. “A importância está na inovação da forma como essa política pública foi construída, ou seja, envolve diversos órgãos, secretarias e dialoga com a sociedade civil no planejamento e execução das ações”, diz Carvalho.

Maria do Patrocínio da Silva é agricultora familiar da comunidade Cachoeira II, no município de Manga, no Território Norte. Ela, como tantas outras famílias, sofre com os efeitos da seca e a baixa renda. Dona Maria conta que, como muita dificuldade, cultiva feijão e mandioca. “Aqui, a seca é horrorosa e perdemos bastante coisa”, afirma.

A agricultora foi uma das beneficiadas do projeto Sementes Presentes. Ela recebeu sementes de milho. “Melhorou bastante. Se não fosse esse projeto não teríamos como plantar milho. A semente é muito cara e não tenho como comprar”, explica.

Ela já colheu o milho. O alimento é utilizado para consumo próprio e para tratar da criação de galinhas. Além disso, Maria do Patrocínio passou a comercializar parte da produção de milho no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o que tem gerado uma renda extra. “Ainda bem que a gente conseguiu essas sementes para plantar”, comenta.

Mais beneficiados

Capelinha é outro município beneficiado com o projeto Sementes Presentes. No total, 311 famílias receberam as sementes de hortaliças. Além disso, na unidade regional da Emater-MG em Capelinha, que abrange 21 municípios, foram atendidas 1.842 famílias.

O programa é importante para as famílias rurais, oportunizando o plantio das culturas de subsistência pela oferta de sementes, que na maioria das vezes é inacessível a eles pela falta de recursos financeiros”, diz o gerente regional da Emater-MG, Valmar Gonçalves.

Mais Sementes

Em 2018, serão beneficiadas mais 26 mil famílias de 147 municípios das regiões Norte, Alto, Médio e Baixo Jequitinhonha, Vales do Mucuri e Rio Doce. Elas receberão sementes de hortaliças, como alface, cenoura, abobrinha, beterraba e quiabo. Ao todo serão 130 mil pacotes de sementes distribuídas. A entrega das sementes de hortaliças é o encerramento da primeira etapa do Sementes Presentes, que teve início em 2017.

As famílias interessadas em participar do projeto devem estar inscritas no CadÚnico e atender aos critérios de domicílio rural e renda per capita até meio salário mínimo, hierarquizadas por menor renda e condição de pertencimento aos povos e comunidades tradicionais e/ou assentamentos de reforma agrária. Para mais informações os agricultores podem procurar o escritório da Emater-MG em seu município.

A seleção das famílias é feita pelas equipes locais da Emater-MG, juntamente com os Centros de Referência de Assistência Social, secretarias de agricultura, sindicatos rurais e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável.

Enfretamento à Pobreza no Campo

O projeto Sementes Presentes faz parte da estratégia estadual de Enfrentamento da Pobreza no Campo, criada pelo Governo de Minas Gerais em 2016. Ela reúne diversos programas, ações e projetos voltados para a melhoria das condições de vida da população do campo.

Ao todo, são 20 instituições governamentais atuando em três eixos: acesso a serviços públicos, benefícios e transferência de renda, inclusão produtiva e infraestrutura.

“Esta é uma experiência interessante do Governo de Minas Gerais na elaboração e implantação de políticas públicas. É uma prática fundamental para o desenvolvimento social. Estamos aportando conhecimentos sobre famílias e comunidades vulneráveis socialmente para que alcancem serviços e benefícios públicos, no caso, os serviços de planejamento de produção e de extensão rural”, afirmou a secretária da Sedese, Rosilene Rocha.

Entre 2016 e 2017, de acordo com a Sedese, foram investidos cerca de R$ 262,4 milhões nas ações de referentes à estratégia estadual de Enfrentamento da Pobreza no Campo. Para este ano estão previstos mais R$ 202,9 milhões.